Como configurar Geofeed no Registro.br

No artigo anterior falamos sobre geofeed, RFC 8805, RFC 9632, RDAP e por que isso importa para provedores. Agora vamos para a prática. A ideia aqui é montar um exemplo simples de publicação de geofeed usando o Registro.br, com arquivo CSV publicado em HTTPS e validação via WHOIS e RDAP. Para não usar nenhum bloco real, os exemplos abaixo usam blocos reservados para teste e documentação. Em produção, naturalmente, você deve substituir pelos blocos reais do ASN. Cenário de exemplo Vamos imaginar que o provedor tenha um bloco IPv4 /22 e use cada /24 em uma cidade diferente. Para o exemplo IPv4, vamos usar: Esse bloco faz parte de um espaço reservado para testes/benchmarking. Ele não deve ser usado em produção na Internet. Aqui ele serve apenas para deixar o exemplo com cara de operação real, sem expor prefixo. A divisão operacional seria: No IPv6, vamos usar o bloco de documentação: E separar em /40: Essa abordagem fica mais próxima do mundo real: um bloco maior cadastrado e, dentro dele, divisões por cidade ou região. Um arquivo por bloco Por enquanto, o Registro.br mantém uma política mais restrita para publicação de geofeed. Na prática, o caminho mais seguro é trabalhar com um arquivo por bloco cadastrado, contendo apenas o próprio bloco ou sub-blocos dele. Então, se o bloco cadastrado é: faz sentido ter um único arquivo para esse /22, contendo os /24 internos: Conteúdo: Perceba o ponto principal: todas as linhas estão dentro do bloco 198.18.0.0/22. Isso é diferente de misturar blocos independentes no mesmo arquivo. Por exemplo, se você tivesse dois blocos diferentes cadastrados no Registro.br, como: não seria uma boa ideia colocar tudo no mesmo CSV neste momento. O mais seguro seria criar um arquivo para cada bloco. Arquivo IPv6 Para o IPv6, seguindo a mesma lógica, o bloco cadastrado seria: O arquivo poderia se chamar: Conteúdo: Aqui também vale a mesma regra: os /40 estão dentro do /32. Em um provedor real, a granularidade pode variar. Você pode usar /40, /44, /48 ou outro tamanho, dependendo de como o IPv6 foi planejado. O importante é que o geofeed represente a operação de forma coerente e não tente ser mais preciso do que a rede realmente permite. Formato correto do CSV A RFC 8805 define o formato base do geofeed [1]: Mas no arquivo publicado, normalmente você não coloca cabeçalho. Então não faça assim: Faça assim: Alguns detalhes importantes: O arquivo deve estar em UTF-8. O prefixo precisa estar em formato CIDR. O país do Brasil é BR. O estado precisa seguir ISO 3166-2. Paraná é BR-PR, São Paulo é BR-SP, Rio Grande do Sul é BR-RS. A cidade não deve conter vírgula. O campo de código postal deve ficar vazio, mas a vírgula final deve permanecer. Onde consultar os códigos dos estados Para o campo de região, use ISO 3166-2. Alguns exemplos: A fonte oficial é a ISO Online Browsing Platform [4]. Para consulta rápida, a página ISO 3166-2:BR também lista os códigos dos estados brasileiros [5]. Publicando o arquivo Você pode publicar o CSV no próprio site do provedor, em um servidor web, em um bucket público ou usando GitHub Pages. O ponto principal é que a URL precisa baixar o arquivo diretamente. Exemplo para IPv4: Exemplo para IPv6: Ou, usando GitHub Pages: Cuidado com links do tipo: Esse link abre uma página HTML do GitHub, não o arquivo diretamente. Para o Registro.br, a URL precisa entregar o CSV direto. Exemplo com GitHub Pages Um caminho simples para laboratório ou pequenos provedores é usar GitHub Pages. O fluxo é: O arquivo IPv4 ficaria assim: A URL final poderia ficar assim: Se ao abrir essa URL o navegador baixar ou mostrar somente o conteúdo CSV, está no caminho certo. Se abrir uma página do GitHub, com layout, botões, menu e preview, está errado. Content-Type O Registro.br pode validar o tipo de conteúdo publicado. O ideal é que o servidor responda com: ou: A RFC 9877 registra o tipo application/geofeed+csv para arquivos geofeed [3]. Para validar: Exemplo de resposta esperada: ou: Validando a sintaxe Antes de cadastrar no Registro.br, vale passar o arquivo em um validador. Uma opção prática é: Ele ajuda a pegar erro bobo, como: Exemplo errado: Problemas: Correto: Configurando no Registro.br Depois de publicar e validar o arquivo, acesse o portal do Registro.br. O fluxo geral é: 3. selecionar o bloco e abrir a opção Configurar Geofeed; 4. informar a URL HTTPS do arquivo; Exemplo IPv4: Exemplo IPv6: Lembrando novamente: estes blocos são apenas exemplos para documentação. Em produção, você usaria os blocos reais. Validando no WHOIS Depois de configurar, valide se o geofeed apareceu no WHOIS. Exemplo IPv4: Resultado esperado: Exemplo IPv6: Resultado esperado: Em produção, substitua pelos IPs reais dos blocos configurados. Validando no RDAP Também dá para validar via RDAP. IPv4: Resultado esperado: IPv6: Resultado esperado: O RDAP é importante porque é o caminho mais estruturado para sistemas automatizados descobrirem o geofeed. A RFC 9877 foi criada justamente para padronizar esse link de geofeed dentro das respostas RDAP [3]. Validando se ficou descobrível Além de WHOIS e RDAP, uma ferramenta útil é o GeolocateMuch: Em ambiente real, use o prefixo ou IP. Essa ferramenta ajuda a verificar se o geofeed está sendo descoberto a partir dos dados públicos. Checklist final Antes de considerar finalizado, revise: Erros comuns Misturar blocos diferentes no mesmo arquivo Errado: Se o arquivo é do bloco 198.18.0.0/22, o prefixo 198.18.8.0/24 está fora dele. Usar estado sem o prefixo do país Errado: Correto: Esquecer a vírgula final Errado: Correto: Usar link de preview do GitHub em vez do arquivo direto Errado: Correto, usando GitHub Pages: Boas práticas operacionais Depois de configurar, não esqueça que isso precisa ser mantido. Revise o geofeed quando houver: O ideal é que a informação venha de uma fonte confiável: IPAM, documentação de POPs, inventário de blocos ou base interna da operação. Geofeed feito “de cabeça” até funciona no começo, mas vira problema quando a rede cresce. Conclusão Configurar geofeed no Registro.br não é complicado. O que exige atenção é o detalhe. Um arquivo por bloco cadastrado.Somente o bloco ou sub-blocos dele.CSV em UTF-8.URL HTTPS baixando direto.Estado no padrão ISO 3166-2.Validação
Testes de Desempenho CGN/BNG em Plataforma Huawei NE8000
Aprenda com Luiz Puppin, especialista em Huawei, como fazer uma análise técnica dos testes de desempenho (Forwarding Performance) realizados em um ambiente de laboratório com a plataforma Huawei NE8000, validando a capacidade do equipamento em operar como BNG+CGN integrado em alta carga. Os testes buscaram verificar: Objetivo dos Testes de Desempenho O objetivo foi comprovar que a solução Huawei consegue sustentar: Essas características são fundamentais para operações de ISPs e operadoras com alta concentração de assinantes atrás de CGN. Arquitetura Utilizada A topologia utilizada conecta: Metodologia 5. Evidências e Resultados A seguir estão as comprovações extraídas diretamente do arquivo de teste. 5.1. Assinantes autenticados com sucesso O relatório confirma a autenticação simultânea de milhares de assinantes PPPoE: O total validado foi de: 5.2. Criação de 32 milhões de sessões NAT O DUT atingiu o limite de escalabilidade previsto pelo fabricante: Ou seja, o equipamento suportou 32 milhões de fluxos simultâneos, sem degradação perceptível. 5.3. Tráfego Sustentado a 50 Gbps – Sem Perda de Pacotes Ou seja: 5.4. Tráfego Bidirecional 50 Gbps (25G + 25G) O laboratório validou a operação simultânea upstream e downstream: Novamente, com zero perda de pacotes: 5.5. Estabilidade da CPU A CPU permanece em níveis estáveis, sem atingir limites críticos. 5.6. Conclusão dos Testes de Desempenho Com base nas evidências, é possível concluir que: Portanto, a plataforma demonstra capacidade real para operar CGN/BNG em ambientes de larga escala, com alto volume de tráfego e grande densidade de assinantes. Este artigo foi desenvolvido em colaboração com a equipe de Gerentes de Produtos IP para ISP da Huawei Brasil, com agradecimento especial ao Thiago Sério e ao Natan Fernandes. Precisa de ajuda na configuração dos seus equipamentos Huawei? Nós podemos te ajudar! Quero conhecer mais