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SRv6 – Um sucessor do MPLS ? 

Nós aqui na Made4it somos apaixonados por evolução e o SRv6 tem sido motivo de muita euforia e discussão com os nossos times e a comunidade. 

Um protocolo que tenta bater de frente com o MPLS com certeza precisa ser olhado com muito carinho.  
Vamos conhecer um pouco mais sobre ele, em uma série de artigos sobre o assunto. 

Nos últimos anos, a evolução das redes vem sendo impulsionada por demandas crescentes de escalabilidade, flexibilidade e eficiência. Nesse cenário dinâmico, tecnologias como MPLS (Multiprotocol Label Switching) surgiram como soluções dominantes para atender necessidades complexas de roteamento e encaminhamento de tráfego. No entanto, com o avanço das aplicações e serviços digitais, surgiram desafios que o MPLS tradicional não conseguia resolver de maneira eficiente. As necessidades constantes das redes, alinhadas a novas tecnologias como o 5G, IoT, carros autônomos e todo um ecossistema crescendo de forma exponencial EXIGEM que as redes de comunicação estejam alinhadas a novas demandas e necessidades. É aqui que o Segment Routing over IPv6 (SRv6) entra em cena como uma alternativa inovadora atendendo esses requisitos com simplicidade e elegância.  

MPLS: A Tecnologia Legada 

MPLS foi introduzido no final dos anos 1990 e rapidamente ganhou popularidade devido à sua capacidade de fornecer encaminhamento de pacotes baseado em rótulos (as famosas labels), permitindo maior controle sobre o fluxo de tráfego e melhor qualidade de serviço (QoS)

Nos anos 2000, o MPLS tornou-se a escolha preferida para provedores de serviços e empresas que buscavam soluções robustas para redes de grande escala, data centers e interconexões entre redes. Para os provedores de serviço, a escalabilidade e facilidade que o MPLS entregava tornou inevitável implementá-lo em suas redes. Isso permitiu os provedores de serviço desenvolverem e comercializarem novos produtos, o que culminou em empresas conectando suas matrizes e filiais de forma transparente, operadoras de telefonia móvel conseguindo expandir suas redes de forma massiva, dentre inúmeras outras inovações que aconteceram com o tempo enquanto a internet deixava de ser das grandes corporações e passava a ser das pessoas.  

Necessidades e Limitações do MPLS:  

Toda e qualquer tecnologia tem pontos positivos e negativos e são moldadas e concebidas para atender uma ou mais necessidades de um determinado ponto no tempo. Conforme o tempo passa, redes crescem e continuam a evoluir, isso implica em necessidades novas que surgem constantemente e talvez não sejam atendidas por tais tecnologias. No caso do MPLS não foi diferente, conforme as redes continuaram no seu crescimento e evolução, algumas limitações do MPLS começaram a se tornar muito aparentes. 

Complexidade Operacional: A gestão e configuração de redes MPLS, dependendo de seu tamanho e “features” que são necessárias para a rede, pode ser complexa e exigir expertise altamente especializado. 

Escalabilidade: À medida que as redes crescem, torna-se desafiador escalar infraestruturas MPLS sem aumentar significativamente os custos e a complexidade da rede. Existem técnicas e boas práticas para tais implementações, mas assim como toda e qualquer tecnologia o MPLS também tem suas limitações de escalabilidade.  

Em muitos casos, o preço da escalabilidade de uma rede MPLS é o uso cada vez mais alto de processamento em equipamentos de rede, tabelas de roteamento cada vez mais extensas, ambientes de rede cada vez mais delicados. Isso invariavelmente aumenta o CAPEX e OPEX da operação, chegando em pontos de tornar completamente inviável manter tal tecnologia em operação na rede e buscar arquiteturas de rede alternativas para manter o ambiente operável.  

Flexibilidade Limitada: MPLS foi projetado para cenários específicos e pode não ser facilmente adaptável às novas demandas de tráfego e serviços emergentes. 

Com novas tecnologias surgindo como o 5G e as novas necessidades que o IoT e inovações tecnológicas no campo de carros autônomos e telemedicina demandam, se faz necessário ter alternativas para segregação de rede a nível de topologia (Slicing) além segmentação do tráfego seguindo priorizações como caminhos de baixa latência e alto tráfego, baixa latência e baixo tráfego, alto tráfego sem se importar com latência e assim por diante.  
O MPLS, hoje, não é capaz de entregar essas demandas emergentes com seus mecanismos legados. 

SRv6: A Inovação em Segment Routing 

O Segment Routing over IPv6 (SRv6) é uma tecnologia de nova geração que combina o Segment Routing (SR) e o IPv6, aproveitando dos mecanismos de encaminhamento já existentes no IPv6. 

Com o uso de uma extensão do cabeçalho IPv6 como meio para identificação e encaminhamento de informações dentro de uma rede, o SRv6 traz benefícios no plano de controle e plano de dados de equipamentos de rede onerando menos e entregando mais. O SRv6 foi concebido desde o início tendo em vista as necessidades constantes dos dias atuais e do futuro, sendo altamente programável e totalmente flexível para escalar redes legadas como também novos ambientes de rede.  

Fonte: IP Network eBook Series: SRv6, Huawei, Lanjun Luo 


Com o conceito de “programabilidade” enraizado, o SRv6 traz a capacidade de uma rede de codificar instruções individuais para os pacotes diretamente em seu cabeçalho.  
No “SR-MPLS” (Segment Routing MPLS) essas instruções são transportadas em rótulos (labels) MPLS, no SRv6, tais instruções são transportadas nativamente no cabeçalho IPv6 com adição de uma extensão chamada de SRH, ou Segment Routing Header

Características e Benefícios do SRv6. 

  • Simplicidade: SRv6 elimina a necessidade de protocolos de sinalização complexos, reduzindo assim a complexidade operacional e os custos associados. Com o uso do IPv6, uma extensão de cabeçalho nativa e um IGP (OSPF ou IS-IS), se torna muito mais leve se comparado com outras tecnologias como a pilha de protocolos que o MPLS exige para operar. Sua simplicidade também é grande aliado em cenários de migração e interoperabilidade com equipamentos que não suportam SRv6, visto que o SRv6 é apenas IPv6 com extensões.  
  • Flexibilidade: Com o SRv6, os pacotes são encaminhados com base em segmentos IPv6, permitindo um roteamento mais granular e adaptável às necessidades das aplicações modernas. Sua concepção desde o início visando adaptabilidade e programabilidade resolve não só os problemas atuais das redes emergentes, mas também traz novas possibilidades para interconectar redes de forma mais simples e efetiva. 
  • Escalabilidade e Eficiência: SRv6 é projetado para suportar redes de grande escala e oferece mecanismos avançados de encaminhamento que melhoram o desempenho e a utilização dos recursos de rede. Engenharia de tráfego tática e reativa se tornam mais simples sem a necessidade de um “full-mesh” de outros protocolos para sinalização de informações como no MPLS.  

Comparação com Tecnologias Legadas 

Ao comparar o SRv6 com tecnologias legadas como MPLS, é evidente que o SRv6 oferece uma abordagem mais simplificada, flexível e adaptável às necessidades atuais de redes de comunicação. Enquanto o MPLS continua sendo uma solução viável para muitos cenários, o SRv6 está emergindo como a escolha preferida para provedores de serviço que buscam inovação e eficiência em suas infraestruturas de rede, principalmente quando nessas redes as demandas “do futuro” se tornam cada vez mais evidentes.  

Conclusão 

O Segment Routing over IPv6 (SRv6) representa uma evolução significativa no campo das redes de comunicação, oferecendo uma abordagem mais simples, flexível e escalável em comparação com tecnologias legadas como MPLS. Com a crescente demanda por serviços digitais e infraestruturas de rede mais eficientes, é provável que o SRv6 continue ganhando destaque e se tornando uma parte integrante das futuras arquiteturas de rede. A crescente demanda e necessidades que o 5G e IoT exigem das redes torna iminente que o SRv6 será o futuro por endereçar e resolver problemas atuais e futuros no campo de redes de comunicação. 

Caso queira conversar sobre implantações de projetos de SRv6, não deixe de falar conosco. Temos um time preparado para implantar, migrar de MPLS para SRv6 e ajudar sua empresa nesse processo de transformação das redes de transporte. 

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